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Desintoxicação Familiar: Quando é necessário dar um tempo com os parentes



"Do modo como a concebemos, a vida em família não é mais natural para nós do que uma gaiola é para um papagaio." -George Bernard Shaw-

Dia desses, pensando nos fantasmas do meu passado, e nos processos de cura de muitos pacientes e amigos, notei esse padrão de trauma familiar, uma constante na vida de quase todo mundo senão de todos.

Desde pequena ouvia em casa que a família é a coisa mais importante do mundo, que temos de zelar por ela, que ela é a base de nossa vida. Tudo isso seria verdade, não fosse pela inconsciência generalizada que a maioria carrega.

Como algo tão importante pode ser a raiz de todo sofrimento? Já dizia August Strindberg, dramaturgo, romancista, ensaísta e contista sueco: Família, tu és a morada de todos os vícios da sociedade; tu és a casa de repouso das mulheres que amam as suas asas, a prisão do pai de família e o inferno das crianças.

O que torna tudo isso ainda mais complicado: a culpa! Se o casamento não vai bem você pode pedir o divórcio, se seu namorado te trata mal, você pode terminar o namoro, mas e quando a treta é com seus pais, com sua família?

Temos uma necessidade de sermos aceitos pela nossa tribo. Isso no passado era a diferença entre nossa sobrevivência ou morte. Fizemos um voto de sermos leais a nossa tribo, não importa o que aconteça.

Isso gera toda uma sensação de culpa quando sentimos que não devemos nos permitir sentir raiva ou querer estar longe de nossa família quando eles nos tratam mal, sem consideração ou respeito.

Entramos no ciclo de vítima, agressor, salvador, envoltos pelo drama sem fim de um sistema falido.

Tenho ouvido vários casos de abuso e chantagem emocional, onde os filhos passam uma vida inteira tentando ser aceitos, mas são criticados e julgados, além de passarem a viver a vida dos pais e não a sua própria: "Não posso deixar minha mãe sozinha, ela depende de mim", "Mas são meus pais, tenho que amá-los, apesar dos mau tratos", "O que vão pensar de mim se deixar de olhar pelos meus pais?"

A questão é: o que você pode fazer quando sua família se transformou em uma obrigação que agora limita toda a sua vida? O que fazer quando as pessoas que deveriam te apoiar, celebrar com você suas conquistas, que deveriam querer o seu bem, só te colocam pra baixo, minam a sua auto estima, te criticam e julgam o tempo todo?

Existem pessoas que são realmente tóxicas e elas vão sugar a vida de você se você deixar. A primeira coisa a fazer é realmente dar um tempo. Se existe alguma obrigação de cuidados porque os pais estão acamados ou não tenha quem os cuide, simplesmente se afaste emocionalmente. Quando estiver cuidando deles, saiba que está cuidando na verdade de você, das suas partes feridas, da sua criança abandonada, dos lados mais sombrios da sua alma. Não se trata deles, mas sim de você e de se dar todo amor que você merece.

E se puder, simplesmente se afaste. Fique o tempo que precisar longe, e comece a curar suas próprias feridas.

Depois disso, processe a culpa e as emoções que vierem a tona. Abrace todas elas, permita que elas existam, aceite cada uma que vier, com muito amor. Sinta todas elas e deixe que elas se expressem para você.

Quando sentir-se mais confortável, inicie o processo do perdão. A Cristina Cairo, autora do livro a Linguagem do Corpo, disponibilizou uma oração do perdão que deve ser feita todos os dias por três meses: um dia para o pai, no outro para mãe, sucessivamente. Isto irá romper com carma familiar e promover uma nova dinâmica na sua vida. Acesse a oração aqui!

Outra opção é tentar se comunicar com eles, impor limites se necessário. Saiba quais são os seus limites e onde eles estão pecando com você. Por incrível que pareça, as vezes os pais estão tão no automático, que sequer tem noção do sofrimento que estão causando. Eles não tem bola de cristal e também não vivem na mesma realidade que a sua. Lembre-se sempre de focar na atitude: "Gostaria que vocês me tratassem com mais respeito e consideração, que abandonassem os julgamento e críticas," ao invés de levar para o lado pessoal: vocês são críticos, são abusivos...este é um julgamento ao caráter e vai ativar automaticamente o sistema primitivo deles, onde eles irão atacar ou fugir da conversa.

Eles estão todos dentro de um jogo e você é uma peça fundamental para manter o ciclo vivo. É natural que, ao se distanciar, toda estrutura do jogo muda, e eles vão fazer de tudo pra te puxar de volta para o tabuleiro. Será escolha sua, continuar alimentando o jogo ou sair dele.

Honrar seus pais, sua família é algo essencial. Eles fizeram o melhor possível, ainda que tenha sido um total desastre. A verdade é que eles nunca conheceram nada diferente do medo. E cabe a você sair do ciclo e dar a eles, ainda que eles nem saibam, a liberdade que tanto ansiavam mas não puderam ter. Porque quando você rompe com um ciclo de abuso, vitimização e passa a se amar e aceitar apesar de tudo, as próximas gerações serão livres também. Toda sua linhagem, passado, presente e futuro é beneficiada.

Assuma a responsabilidade de estar nessa família. Ela era o adubo que você precisava para florescer. Eles são os carrascos e os professores que te permitiram estar aqui neste tempo incrível para sair de uma vez por todas de toda essa negatividade e criar um novo mundo.

Em resumo, ame-se! Ame-se profundamente a ponto de escolher ter ao seu redor as pessoas que te impulsionam, que te inspiram, que te desafiam. Existem várias tribos por aí, muito mais alinhadas com a alegria da sua alma. Confie que cada pessoa tem seu próprio Eu Superior, que a esta guiando e que cada uma tem seu tempo de despertar.


Charumati Prem é fundadora do blog Despertando Deuses e do Portal Divina.

Atua nas áreas de Desenvolvimento pessoal e feminino realizando retiros, workshops e palestras. É escritora, artista plástica e eterna aprendiz. Sua missão é a de compartilhar informações e ferramentas que gerem inspiração e expansão de consciência, elevando a vibração e empoderamento pessoal.

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